Dec 09 2009

Prolegômenos da crítica cultural

Category: Arte Contemporânea, Contemporaneidade, Crítica, EstéticaF T Gorski @ 4:56 pm

Art Safari – Relational Art, is it a new ism?

Há alguns dias, durante um evento “íntimo” de arte em Florianópolis, no Contemporão Espaço de Performance, tivemos, eu e Kamilla, a idéia de um blog de crítica de arte e cultura (o termo cultura sendo mais amplo, implica a dinâmica do universo artístico e escolhas políticas tomadas dentro dele, sem querer dizer no sentido antropológico), em nome do qual o atual blog pode deixar de existir. Um tanto impressionados pelo que vem tomando emprestado o termo performance, tomado ou não como arte, mas sempre exposto como tal, veio-nos a idéia bombástica de que nossa cidade carece sobremaneira. Pesquisando um pouco na internet, pelo site Ubu, dei de frente com esse vídeo, um dos programas de Ben Lewis para a BBC, Art Safari, que teve a Arte Relacional como tema. Está em inglês e sem legendas, porém não muito difícil de compreender. Trata da Relational Art, termo que foi empregado pelo curador Nicolas Bourriaud em livro recente. Ao pé da página, fica a entrevista traduzida por mim, e no link do vídeo, a original.

O mais interessante do trabalho de Lewis é que se trata de uma crítica de arte, especificamente ao que Bourriaud chamou Relational Art, que não recorre aos argumentos mais comuns quando o assunto é Arte Contemporânea. De fato, a pergunta – isso é arte? – ressoa de fundo durante os 40 minutos de documentário mais por conta do espectador do que pela atitude do apresentador, que é, sim, irônica, mas não quanto ao estatuto artístico. Lewis recorre a um questionamento aparentemente superficial, porém suficientemente forte para se questionar os pressupostos do que ele considera ser um novo “ismo”: como é possível reunir sobre um mesmo nome um grupo de artistas aparentemente tão diferentes entre si? Suas escolhas têm entre si algo em comum que possa defini-los como um movimento artístico?

Lewis acredita que sim, mas não pretende responder essa pergunta através do filme. Não obstante, seu percurso leva-nos a diversos questionamentos análogos. Um deles, creio, seja o mais importante, e ainda pouco notado pelos críticos de arte e artistas em geral. Enquanto coloca a questão ideológica no centro da discussão, o apresentador parece perguntar-nos sobre a validade dos discursos ideológicos (tomados aqui como fragmentos, porque traçados dentro de uma determinada classe, a burguesia, e não podendo ao mesmo tempo almejar ser o discurso burguês sobre a arte) sobre a arte como discursos suficientes para classificar algo como artístico ou não. Certamente, o que chamamos de arte é e sempre será relativo a uma série de coisas que foge ao nosso controle, mas das quais tomamos parte para validá-lo ou invertê-lo. Não existe dúvida a respeito. O que não se vem colocando com muita honestidade é que isso pressupõe ao sujeito do discurso identificar suas premissas de forma clara e não autoritária – isso é, sem se defender atrás da cátedra ou do connaisseur de arte. Isso corresponde ao papel do crítico de arte, que não deve pretender sua palavra como a última. Outra é a do discurso do artista, que já se confunde com a do crítico, ao mesmo tempo em que tenta defender seu ofício como válido dentro mercado artístico.

Não vale a pena discutir conceitos como não-arte quando inseridos e valendo dinheiro em exposições de arte mundo afora. O máximo que se poderia argumentar é que mesmo no mercado a arte vem se confundindo com o objeto comum, não necessariamente ordinário, exposto a leilão. Fazê-lo nos deixaria distante da discussão estética, que continua tendo papel importante na distinção entre diferentes campos ou formas de conhecimento e, conseqüentemente, entre o que é arte o que não é.

O mais curioso de tudo é notar que a própria aproximação do fazer artístico ao campo conceitual, ou seja, a elaboração filosófica, abandonando a atividade manual que lhe foi própria durante muitas invernadas na história humana, a torna cada vez mais frágil. Com efeito, o que não tem sido notado pelos críticos mais “cascagrossa” da arte contemporânea, porque isso também implica discutir os seus próprios pressupostos estéticos, é que, se conceito de arte está diretamente ligado à elaboração conceitual do artista e dos especialistas, basta uma argumentação filosófica sólida para retirá-lo das galerias. Ainda assim, não penso que a proposição baste para classificar algo como arte: o que me irrita é que a arte tenha se reduzido a ela. Com uma pergunta na mão faz-se arte sem que praticamente se tenha que recorrer a qualquer  outro tipo de trabalho. E, ainda assim, as exposições pululam obras que muito forçosamente, ou com a ajuda de um monitor, nos empurram que haja ali uma proposição.

BBC Four: Então… A Arte Relacional é um novo movimento?
Ben Lewis: Eu não sei se é um novo movimento ou não, eu quero que o espectador me diga. Eu suponho que o filme tenha colocado como um novo movimento de forma irônica, mas eu não coloquei esse argumento e de fato muitas pessoas ficam imaginando o que esses artistas têm em comum

BBC Four: O que sugere que seja um novo movimento?
BL: Bem, eles se conhecem, interessam-se por arte que tenha um propósito e de certa maneira isso é muito arte pós-modernista (não posmodernista). Se você viu tudo e se perguntou o que tinham em comum, eles fazem algo que é usado. Seja luzes um tanto pretenciosas de Philippe Parreno´s, as luminárias, que provavelmente vão terminar na mesa ao lado da pele de um tigre de um colecionador com muito dinheiro; seja as cabines telefonincas de Elmgreen and Dragser onde você usa o exposto e se dá conta do que as pessoas pobres fazem.

BBC Four: Muitos deles parecem ser bem politicos em suas preocupações, certamente anti-capitalistas…

BL: É… Eu diria que todo o seu trabalho se formou por uma visão política naive que só pode se formar na bolha de uma escola de arte. Eu penso que o infortúnio desse tipo de arte é que ela é politicamente imbecil, e, no nível intelectual, eles ainda dependem dos argumentos da escola de Frankfurt – Adorno e Horkheimer – dos anos sessenta. Eles argumentam que somos todos escravos de algo chamado ideologia dominante; essa coisa burguesa que construía nossa maneira de pensar, nossa política e sociedade por nós.

Porém o mundo que nós vivemos na verdade oferece muito mais escolhas para resistir, rebelar-se e construir nossa própria comunidade e eu não acho que nenhum do artistas nesse programa realmente levaram isso em conta. O ponto fraco da arte para mim é que ela é um tanto paternalista. Eles estão tentando me convencer de algo que discordo e estão dizendo – “Porque somos artistas, sabemos melhor”, e penso que esse seja um mito modernista que eles não conseguiram se livrar.

BBC Four: E pareceu que, apesar de acharem isso, ficaram relutante em discutir ou interpreter o próprio trabalho…
BL: É um “ismo” com alguns bons artistas e outros tantos ruins e foi um pesadelo realizar [o filme] porque eu fui muito franco com o artista que entrevistado que eu o fazia porque eles apareceram nesse livro (Estética Relacional de Nicolas Bourriaud´s) e estava interessado em saber o que eles pensavam a respeito. Fiquei surpreendido em saber que essa era uma questão repulsiva para muitos artistas. Muitos se recusaram terminantemente a estar no filme e o artista britânico Liam Gillick ficou totalmente irritado comigo. Ele ficou furioso com minha forma de perguntar. Pensou que era trivial e superficial. Sinceramente, não era, mas o problema com a teoria de arte é que ela é boa desde que fique dentro do espaço sagrado de críticos de arte sentados em galerias tendo discussões complexas com longas palavras que ninguém entende, mas se alguém se aproxima de fora e pergunta: Bem, por que vocês todos estão nesse livro?”, isso pode se tornar ameaçador.

BBC Four: Não apenas os artista tiveram essa reação, houve também o dono de galleria Gavin Brown.

BL: Sim, Gavin. Ele foi legal. Fiquei surpreso com ele também. Houve muita surpresa no filme. Sua reação foi uma grande surpresa para mim

BBC Four: Por quê?
BL: Eu achava que ele pensasse que a arte relacional era algo bom, Rirkit Tiravanija era um de seus artistas e eu não poderia dizer se ele o achava bom ou não, ele parecia confuso, não parecia conhece-lo. De fato, ele parecia achar aquilo uma merda, mas não estava preparado para dizê-lo. Logicamente, ele dizia que ele não era muito significante. Mas eu não fiz o filme para argumentar se era ou não significante ou se era um ismo ou não. O ponto da série era olhar algo que parecia interessante e do qual eu poderia coletar várias opiniões.

BBC Four: Uma das grandes coisas do filme é que você não chega na questão “A arte moderna vale alguma coisa?” É como se você fosse formando ligações entre diferentes artistas ao invés de entrar nesse debate batido.

BL: As pessoas que falam de arte e fazem programas de tv sobre arte e falam sobre arte são viciadas em suas próprias opiniões. Estão envolvidas nesse jogo horroroso no qual têm de competir para fazer as pessoas acharem que sua opinião é melhor do que a dos outros e eu apenas queria deixar isso de lado porque eu penso que isso apenas acaba com o prazer da arte e penso que a maneira como a maioria das pessoas aproveita a arte é mais flexível e divertida do que isso. Eu queria fazer isso como o ponto de partida do filme – as conversas divertidas que as pessoas têm em arte – “Será que ele é Fauvista ou Cubista”? Todos nós nos perguntamos, não?


Nov 19 2009

“Contra a Folha e tudo o que é pra frentex”

Category: Arte Contemporânea, Contemporaneidade, TeatroF T Gorski @ 9:54 am

O manuscrito acima é de Lina Bardi, idealizadora do projeto do Teatro Oficina tal como o conhecemos, e que, nos dizeres do prof. Edélcio Mostaço, foi a única cenógrafa a traduzir os ideais Antropofágicos para o teatro (a cena e arquitetura, diga-se).

Chamam a atenção os dizeres: Contra Folha e tudo o que é p/ frentex… Por sinal, “p/ frentex” é expressão anos 80 reiventada pela onda Hype?

Eu sou contra tudo o que é pra frentex!


Nov 18 2009

Tropicália fora do palco

Category: Arte Contemporânea, Contemporaneidade, Política, Teatro, educaçãoF T Gorski @ 3:53 pm

Chegando de viagem, recém me deparo com esse texto de Zé Celso sobre a declaração de Caetano em que dizia, com a voz de quem arrota uma sabedoria não lida: Lula é um analfabeto. Artigo de pena afiada, em que o Coordenador/Diretor/Actor do TeatroOficina destila aquela erudição  não reprimida e que se deixa ver apenas a quem esteja disposto e partilhe, não da mesma visão, mas a mesma vontade de ver e compreender o mundo – mais específicamente, nossa brazylidade, como queremos os tropicalistas. Ao contrário de Caetano e alguns outros, Zé continua impunhando a bandeira tecida por Oswáld nos escritos do Antropofagismo e Pau Brasil.

Na lavra do maior teatrurgo do Brasil, encontrei alguma resposta – ou penso ter encontrado – para inquietudes recentes: ona tropicalismo e a antropofagia podem ainda ecoar no brasYl do novo século? Está claro, o tropicalismo e a antropofagia são as expressões máximas do que está presente em todo o mundo que é a devoração, conceito chave, mas também verdade universal. Como expressões brasileiras, expressam-se abertamente, mas não sem conflito consigo mesma, no próprio mito de criação dessa nação que é o exato oposto do conceito de Nação – a devoração do Bispo Sardinha pelos índios analfabetos. Enquanto a elite intelectualizada e oligarquica busca reprimir esses elementos, o tropicalismo deixa as contradições aflorarem, sem equipará-las. Não seria demais dizer que Caetano, afagado por essa elite, tem transformado sua produção tropicá-lia para o gosto europeizado da elite branca.  A própria Europa, aliás, custa a se efrentar com o passado (?) colonialista e admitir que a França já se torna tão afro-americano-indiano-judeoarabe-lesteuropeizada quanto francesa e por aí também outros países. Pareceria custoso dizer que a europa já é também um pouco tropical – fazendo o caminho inverso do fado de Chico, o semba glacial – porém basta ver, como nota Zé Celso em outro texto, que muitos cultos brasileiros têm relação umbylical com a Grécia e a Roma Antiga e que raça e cultura puras são mitos que não vale a pena cultivar.


Oct 28 2009

Casa de Asterion de Cara Nova

Category: EstéticaF T Gorski @ 2:47 pm

Estou iniciando algumas mudanças para retomar a produção no site. Além dos posts recentes, alterei também o tema do blog para dar mais dinâmica e acesso aos assuntos abordados. Apreciem sem moderação, comentem, xinguem, zoem ou apenas elogiem.

Abraços,

Frederico T Gorski


Oct 28 2009

Hélio Oiticica e a arte contemporânea

Category: Crítica, Estética, educaçãoF T Gorski @ 2:09 pm

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Ainda hei de escrever algo mais sólido sobre a obra desse que deve ser o maior artista brasileiro do século passado. O mais inovador certamente. Tão inovador que mesmo com a perda de cerca de noventa por cento de toda sua obra num incêndio que consumiu o prédio que as armazenava (dizem alguns que literalmente), Hélio pode ter sua obra totalmente renovada a partir de sua característica mais pungente:  o refinamento conceitual, o poder que suas idéias possuem não de determinar caminhos e objetos, mas sugeri-los. Assim como a realidade brasileira foi matéria para a sua produção, seu trabalho influenciou toda uma geração, não apenas no campo das artes visuais, como da música, do teatro e da arquitetura. Compreendê-lo, portanto, é um pouco compreender o que viemos a ser e o modo como percebemos nossa própria realidade, mesmo desconhecendo sua obra. Nos próximos artigos, vou procurar demarcar algumas regiões por onde perambulam suas idéias, bem como possíveis ressonâncias com obras totalmente independentes de sua produção. Nada acadêmico, seja dito.

A quem interessar, ao lado o livro de Paula Braga, excelente compilação de artigos a seu respeito.

Imagens e manuscritos aqui.

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Oct 27 2009

Borges, Cinema e crítica

Category: Cinema, Crítica, LivrosF T Gorski @ 9:48 pm

borges

Quando li a crítica de André Setaro, reproduzida em post anterior, lembrei-me imediatamente de alguns textos de Borges, versando não apenas sobre cinema, mas também sobre a literatura. Pouca gente, quando toma contato pela primeira vez com o escritor argentino, sabe de suas incursões como ensaísta e crítico. Na Argentina, por exemplo, já ouvi muita gente que o conhece apenas pela literatura “gauchesca”, preocupada com a revitalização de livros como Martin Fierro. Mas Borges era um homem de conhecimento, com vasto interesse na literatura ocidental como oriental e soube com maestria inserir elementos de ambas em sua produção. Vejam-se, por exemplo, livros como Ficções e Aleph em que o tom policial (Borges era daqueles que via a literatura como um prazer, seguindo o exemplo dado por Montaigne) era recoberto por temas recorrentes na literatura árabe, hebraica e alemã, entre outras. Não era um detrator do estilo, porém desdenhava da crença, ainda vigente, de que reside nele toda qualidade da literatura, e da arte.

Daí suas contribuição como crítico. Se não acertou todas as suas previsões, ao menos o fez com uma honestidade rara: “Consigno minha esperança – muitas vezes satisfeita – de não ter razão”, diz ele em uma crítica a Luzes da Cidade, de Charlie Chaplin. Em sua vasta erudição, que não chega a ser mero intelectualismo, lança o seguinte argumento: “Alguns episódios são novos; outros, como o da alegria técnica do lixeiro diante do providencial (e depois falaz) elefante que deve fornecer uma dose de raison d´etre, é uma reedição fac-similar do incidente do lixeiro troiano e do falso cavalo dos gregos, do pretérito filme A vida privada de Helena de Tróia”. Não há, diz ele, realidade nem irrealidade suficiente no filme. Os personagens são demasiado normais. Uma crítica que, definitivamente, não esconde seus pressupostos. Não há uma linha sequer deselegante, nada como “seu trabalho é irrelevante”. Ao contrário, o escritor deixa a negativa nas entrelinhas, e, com domínio incomparável de seu ofício, não sobrepõe o gosto pessoal sobre a obra, ao mesmo tempo em que expõe suas preferências. Sobre um filme de Orson Welles, aliás, antevê o que hoje se confirma: será mais comentado do que visto, como toda obra-prima.

Interessantes essa observações sobre o cinema russo: “Os russos descobriram que a fotografia oblíqua (e por conseguinte disforme) de um garrafão, de um cachaço de touro ou de uma coluna possuía valor plástico superior à de mil e um extras de Hollywood, rapidamente fantasiados de assírios e depois embaralhados até a vagueza total por Cecil B. de Mille.” Se o público e a crítica se curvou ao Cinema de Eisenstein e Vertov, Hollywood apenas tomou o que parecia lhe convir, como assinala o escritor em seguida: “Soou o alarme russo; Hollywood reformou ou enriqueceu alguns de seus hábitos cinematográficos e não se preocupou muito”.

É, contudo, em suas observações sobre a literatura, expressas em A supersticiosa ética do Leitor que se encontram algumas das observações mais úteis a quem quer que seja que se debruce sobre a arte, qualquer forma de expressão que pressuponha. Avesso ao realismo (ver A postulação da realidade) e à teoria estética que identifica a beleza com a expressividade (mesmo texto), Borges ataca aqui os exageros de estilo. Os leitores de seu tempo, diz, chamam de estilo “não a eficácia ou ineficácia de do escritor”, senão que se atêm a detalhes mais que ao conjunto da obra. Uma frase será considerada mal escrita quando longa, ainda que de fato esteja bem composta e cumprindo seu objetivo. Por outro lado, a concisão é atribuída a quem escreva uma sucessão de frases curtas, mesmo que não diga nada.

Não sei se todos os exemplos citados por André Setaro podem se encaixar com o expresso acima, mas é certo que o cinéfilo de hoje, como os leitores da crítica de Borges, prefere exageros de estilo a um filme bem montado. Assim, o Lynch de Elephant Man, História Real e Veludo Azul é mero prenúncio do genial diretor de Mullholand Drive e Império dos Sonhos, uma coletânea de tomadas e cenas que poderiam ter sentido se encaixados em qualquer outra história, mas que nesses filmes não passam de mero exercício estético – aborrecedor, diga-se.

Compare livros de Borges

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Oct 27 2009

História da cirurgia

Category: CiênciaF T Gorski @ 8:46 pm

Instrumentos Cirúrgicos do Passado

Para quem se interessa pela história da ciência, o site Underflash.com traz uma interessante compilação de imagens de instrumentos cirúrgicos do passado. O instrumento aí acima, por exemplo, foi utilizado para identificar o local exato (sic) de balas no corpo de uma pessoa. Há outras curiosidades a respeito. E o Bibliodyssey possui também uma interessante coletânea de livros a respeito. Quem quiser aprofundar, pode procurar o history of surgeryA history of surgery.

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Oct 27 2009

Reflexões sobre a arte do Cinema e o Cinema de Arte

Category: EstéticaF T Gorski @ 11:35 am

Reproduzo artigo de André Setaro sobre Cinema. Interessante a argumentação por não se tratar de mera ranzinza contra inovações na forma de se fazer cinema. Vale repetir o que disse a respeito:

Um bom filme se revela pela maneira que o realizador articula os elementos da linguagem cinematográfica. Um filme linear pode ser tão bom como um que “desestruture” a narrativa.

Farei mais adiante um comentário com algumas reflexões de Borges que sempre me acompanham quando o tema é arte.

Terça, 27 de outubro de 2009, 08h02
Dez notas aleatórias

André Setaro
De Salvador (BA)
1.) Até os anos 60, os grandes críticos e ensaístas de cinema somente se punham a escrever sobre certos realizadores que se encontravam numa espécie de olímpio: Serguei Eisensten, Orson Welles, Roberto Rossellini, Ingmar Bergman, Charles Chaplin, Robert Bresson, Federico Fellini, Fritz Lang, Alain Resnais, Michelangelo Antonioni, entre muitos outros. Se se vai verificar os dois caudalosos volumes de críticas de Paulo Emílio Salles Gomes, por exemplo, não se encontra nenhum artigo a respeito de Vincent Minnelli, Frank Tashlin, Howard Hawks, Robert Wise, Robert Aldrich, Anthony Mann, Billy Wilder, entre outros notáveis do cinema americano. Mesmo o genial Alfred Hitchcock é visto com reservas tanto por Paulo Emílio quanto por Walter da Silveira em “Fronteiras do cinema”.
2.) O grande cinema, para Paulo Emílio, Walter da Silveira, Francisco Luiz de Almeida Salles, Georges Sadoul (vejam o seu dicionário de filmes), etc, parecia se circunscrever ao cinema europeu. Há exceções, como a de Antonio Moniz Vianna no “Correio da Manhã” e sua admiração religiosa a John Ford. Foi preciso que os jovens críticos da revista francesa “Cahiers du Cinema” (François Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, Claude Chabrol, Jean Doniel Valcroze…) descobrissem que o cinema americano tinha grandes cineastas com a chamada “Politique des Auteurs”.
3.) Interessante observar que seria quase um “anátema” se Walter da Silveira exibisse, por exemplo, a notável comédia “Se meu apartamento falasse! (“The aparment”, 1960), de Billy Wilder, em seu Clube de Cinema da Bahia, que considero um dos melhores filmes que já vi na minha trajetória de cinéfilo. O Clube se reservava aos cineastas do “podium”. Naquela época, o “cinema de arte” era uma coisa e outra os filmes de “divertissement”, as fitas para entretenimento, confundindo-se, com isso, alhos com bugalhos. Se Quentin Tarantino tivesse se formado cinematograficamente apenas a ver os realizadores do olímpio não teria feito “Bastardos inglórios”, pois a sua inspiração vem mais de filmes considerados, pela crítica rabugenta, de segunda linha, como é o caso de Enzo G. Castellari.
4.) E, afinal de contas, o que é “cinema de arte?” Há um “cinema de arte”? Na verdade, existem os bons e os maus filmes. O “cinema de arte” não existe, pois da própria indústria cultural surgem excelentes obras cinematográficas, a exemplo de “Bastardos inglórios”, “Gran Torino”, de Clint Eastwood, “Sangue negro”, de Paul-Thomas Anderson, etc. Um filme é bom ou não o é, quer venha de autores consagrados, quer oriundo da indústria consolidada. Mas para a maioria das pessoas, “cinema de arte” é aquele que se distancia do modelo narrativo hollywoodiano, com filmes mais reflexivos, tomadas demoradas, que trata de “coisas nobres” (e que “coisas nobres” seriam estas?).
5.) O termo “cinema de arte” começou a ser empregado nos anos 50, quando começaram a surgir os filmes de Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, Alain Resnais, obras que se diferenciavam da estrutura narrativa tradicional do cinema americano. E, por incrível que possa parecer, foram os próprios exibidores que instituíram a expressão para designar os filmes “diferentes”, antípodas do modelo americano. Os exibidores começaram, então, a chamar os filmes de Bergman, Antonioni, e congêneres, de “filmes de arte”, de “cinema de arte”.
6.) Há pessoas que desprezam o filme que tem uma estrutura linear, uma narrativa com começo, meio e fim, e somente se interessam pelas obras que “invertem” a narrativa ou que propõem “fórmulas” diferentes de narrar. Nada mais equivocado. Um bom filme se revela pela maneira que o realizador articula os elementos da linguagem cinematográfica. Um filme linear pode ser tão bom como um que “desestruture” a narrativa. A questão se resume ao talento do cineasta. Recusar o filme linear significa jogar no lixo John Ford, Anthony Mann, Hawks, entre muitos. Há realizadores que procuram copiar os mestres e se tornam chatos, pachorrentos. Nunca esqueço o que ouvi de Costa-Gavras em Salvador: “O cinema é, antes de tudo, um espetáculo”.
7.) Se Glauber Rocha pode ser considerado um grande realizador cinematográfico, as suas “viuvas” são insuportáveis, além de extremamente incompetentes. Conversar com uma “viúva” de Glauber é papo para “encher o saco” de mesmices e repetições. Mas o cinema brasileiro, em detrimento de produções mais arrojadas, está cheio dessas “viúvas carpideiras.”
8.) Um Douglas Sirk essencial é lançado em DVD em cópia boa e luminosa: “Imitação da vida” (“Imitation of life”, 1959), obra reverenciada pelo “Cahiers du Cinema” e pelos críticos do mundo inteiro. Aliás, a bem da verdade, a maioria dos filmes desse austríaco, que trabalhou em Hollywood, é essencial. Um retrato da sociedade americana nos anos 50, racista e preconceituosa, que apresenta a essência da década nos EUA, principalmente no quesito racismo. Mas “Imitação da vida”, sobre ser uma obra analítica de um “way of life”, é um melodrama belíssimo de uma insuperável eficiência nos “golpes dramáticos”, na fotografia colorida deslumbrante, na “mise-en-scène” de um mestre do cinema, que encerra, com este filme, sua carreira magistralmente.
9.) O elenco de “Imitação da vida” é composto por Lana Turner (no auge de sua carreira, embora não tão bela como nos anos 40, quando era um fenômeno de feminilidade e beleza), John Gavin (ator sirkiano), Sandra Dee, Juanita Moore (grande atriz, que faz o papel da mãe negra), Susan Kohner (a filha “branca”, muito parecida com Natalie Wood), Robert Alda. Ponta de Troy Donahue, que viria a se celebrizar como o galã de “O candelabro italiano” ao lado de Suzanne Pleshette.
10.) Refilmagem da novela de Fannie Hurst, “Imitação da vida” gira em torno de duas mães, uma atriz famosa (Lana Turner) e sua empregada negra (Juanita Moore) e os problemas com as respectivas filhas. A iluminação é de um artista da luz e da cor: Russell Metty. E partitura de Frank Skinner e do iniciante Henry Mancini.

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Oct 26 2009

BR3, Documentário.

Category: Documentário, Estética, TeatroF T Gorski @ 7:35 pm

Para quem não conhece, há uma interessante ferramenta na internet, uma espécie de facebook séria. Ou, melhor dizendo, cinematográfica. Trata-se do sítio www.theauteurs.com . Além de trocar resenhas e classificar os seus filmes preferidos, pode-se também assistir a alguns desses. Descobri o site quando me indicaram para ter acesso ao documentário Br3, a partir da trilogia homônima do grupo Vertigem, de São Paulo. Vale a pena conferir. Para quem não quiser se embrenhar nesse site, abaixo o vídeo do youtube. Ah, sim, quem tem facebook não precisa criar nova conta no theauteurs.
Br-3


Sep 10 2009

Elvis também vai

Category: EstéticaF T Gorski @ 11:04 pm

topoelvis


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